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Comunicado de prensa

Bancos precisam assumir responsabilidades no combate às mudanças climáticas

BankTrack

10 de decembro de 2009

Bancos no mundo todo não estão contribuindo o suficiente no combate às mudanças climáticas. Eles deveriam promover mudanças em suas práticas de financiamento e investimento para solucionar, e não agravar, os efeitos da crise climática. Perder esta chance resultaria em um sério risco para a reputação dos bancos, que são co-responsáveis pelas mudanças climáticas.

Esta é a mensagem chave do relatório ‘A Challenging Climate 2.0; what banks must do to combat climate change’, lançado hoje pelo BankTrack - rede internacional que monitora o comportamento de instituições financeiras, que o programa Eco-Finanças da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira representa no Brasil.

De acordo com o relatório, divulgado na Conferência do Clima, em Copenhague, os bancos podem ser vilões ou heróis do clima. Estes devem preterir oportunidades de negócios de impacto negativo nas mudanças climáticas por negócios que favoreçam ganhos no longo prazo. "Bancos comerciais estão numa posição única: podem intensificar o uso de energia baseada na queima de combustíveis fósseis ou catalisar os esforços necessários em eficiência e tecnologia para atingir uma sociedade de baixo carbono", diz o documento, em livre tradução do inglês.

"Não falta aspiração e discurso da parte dos bancos sobre mudanças climáticas; o que está faltando é agir sem se esquivar das decisões difíceis. Por exemplo, abandonar o financiamento da extração de combustíveis fósseis e focar em fontes renováveis de energia", diz Johan Frijns, coordenador do BankTrack

Faltam, nas iniciativas recentes de bancos internacionais como o Climate Principles e o Carbon Principles, a ambição necessária para criar a mudança fundamental nas práticas de negócios, enquanto a mais conhecida iniciativa para finanças sustentáveis, os Princípios do Equador, não apresentam qualquer compromisso obrigatório para considerar os impactos climáticos na hora de financiar um projeto.

Ainda, o relatório do BankTrack também argumenta que a ênfase dos bancos no mercado de carbono está mal orientada, já que afasta os bancos de uma real contribuição do que eles poderiam fazer para resolver a crise climática: mobilizar o capital financeiro para a mudança a uma sociedade de baixo carbono.

Passos

O relatório aponta quatro passos que os bancos deveriam seguir para fazer a sua parte, abandonando soluções que contribuem pouco para a redução de emissões de gases de efeito estufa e se concentrando na mudança estrutural necessária  para uma economia de baixo carbono.

O primeiro passo é abandonar todas as atividades e projetos que contribuam para as mudanças climáticas, em particular os financiamentos de termelétricas, extração de carvão, petróleo e gás, além de práticas ineficientes na agricultura, florestas e transporte.

O segundo passo é minimizar a contribuição das outras atividades no combate às mudanças climáticas, como condicionar os financiamentos a cálculo de emissões de gases de efeito estufa em cada projeto, além de criar ferramentas para reduzir emissões em operações e serviços bancários.

O terceiro ponto é aumentar o incentivo ao desenvolvimento e uso de tecnologia verde e processos produtivos amigáveis ao clima. Os bancos deveriam aumentar os incentivos em tecnologia de redução de emissões, produção de energia renovável e eficiência energética em todas as linhas de negócios e desenvolver produtos e serviços para ajudar consumidores do varejo a combater as mudanças climáticas.

O quarto passo diz que os bancos não devem financiar ou desenvolver as chamadas 'falsas soluções' para as mudanças climáticas, como o mercado de carbono, energia nuclear, hidroeletricidade em larga escala e captura e estocagem de carbono (CCS). . Além disso, os bancos só devem aprovar projetos de biocombustíveis que tenham emissão no mínimo 80% menor que o equivalente dos combustíveis fósseis.

De acordo com o BankTrack, essas falsas soluções não só contribuem pouco para a redução de emissões e atrasam o desenvolvimento de tecnologias limpas, como podem causar impactos em populações tradicionais nos países do hemisfério sul.

Ainda, BankTrack vai publicar uma avaliação do comprometimento climático de 54 bancos em janeiro de 2010. Trata-se de parte de um projeto que vai mapear a qualidade das políticas dos bancos (“Close the Gap”).

Veja o relatório completo:

A Challenging Climate 2.0; what banks must do to combat climate change

Leia também:

BankTrack calls upon banks to help fight runaway climate change


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